Crafts na teia da rede: Atelier Fio de Nylon

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Carla G

Os ambientes urbanos são o pano de fundo das peças criadas por Carla G, que deu vida ao projecto Atelier Fio de Nylon. Azul petróleo é a cor que marca esta fotógrafa profissional que cria originais acessórios de moda e artigos de decoração. São peças únicas com uma expressão própria, onde habitam cores e ritmos urbanos. A artesã da Póvoa de Santa Iria, que define o artesanato urbano como um ponto de intersecção entre o passado e o futuro, procura inspiração em cada pormenor da vida na cidade. E mostra as suas criativas peças no seu weblog e na sua loja online. Porque o Atelier Fio de Nylon é um projecto do presente e para o futuro.

As ideias da artesã, em texturas digitais e em discurso directo.

1. A expressão “artesanato urbano” significa: significa acima de tudo um grande risco de interpretação. A palavra artesanato ainda está muito presa ao artesanato tradicional, tanto ao nível de motivos como de técnicas. Na sua expressão urbana, o artesanato ganha não só novas técnicas como novos motivos, fruto da mistura de culturas e modos de vida próprios do ambiente cosmopolita da cidade. Assim, artesanato urbano é uma das possíveis evoluções desse outro artesanato tradicional, é uma zona de convergência da diversidade de etnias e técnicas, um encontro entre o antigo e o futuro, uma forma artística e artesanal de expressão fruto do ambiente único urbano.

2. O artesanato urbano em Portugal: começa a ganhar expressão, mercado e um reconhecimento próprios, distinguindo-se cada vez desse outro artesanato dos Galos de Barcelos, Tapetes de Arraiolos e bonecos das Caldas. Penso que seja isto que se passa não só em Portugal mas no resto do mundo, embora no nosso país demore mais a formalizar, reconhecer e constituir um corpo de saber próprio e independente.

3. Uma ferramenta útil para crafters: criatividade, pesquisa e muito, muito trabalho.

4. Artesanato urbano porque: nasci e cresci na cidade. Embora aprecie todas as formas de artesanato pela tradição e saber que perpetuam no tempo, é nos ritmos citadinos que me sinto em casa, é na cidade que as minhas forças são plenas. A vida urbana é muitas vezes considerada desenraizada e destituí­da de referências, de linhas orientadores contudo, é exactamente na intercepção de tantas culturas, de tantas realidades plásticas, de tantas formas distintas de estar na vida que encontro os motivos para as minhas peças que, a meu ver, representam toda essa mescla e choque permanente próprio da vida nas grandes cidades.

5. Inspiração é: tudo o que me rodeia. São sons, cheiros, cores, imagens. É estar viva. É ver em cada situação, em cada pormenor, em cada coisa um brilho para algo mais, algo diferente. Se nos apercebermos frequentemente que estamos realmente vivos, tudo à nossa volta fala connosco e nos inspira por isso, não conheço maior fonte de inspiração que o próprio mundo que me rodeia.

6. Um projecto para o futuro: este é o meu projecto e, quando penso o futuro, é este projecto que continuo a imaginar.